Inflamação Crônica em Cães e Gatos: Fisiologia e Alterações no Hemograma
- Giovana Balarin
- 10 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

1. O que é inflamação crônica?
A inflamação crônica é uma resposta tecidual persistente, caracterizada por duração prolongada (semanas ou meses) e ativação simultânea de mecanismos inflamatórios, imunes e reparativos. Diferente da inflamação aguda, com predomínio de neutrófilos, a crônica envolve principalmente linfócitos, plasmócitos e macrófagos, refletindo uma resposta imune adaptativa.
As causas mais comuns incluem:
Infecções persistentes (ex.: Ehrlichia canis, Leishmania spp.)
Corpos estranhos
Doenças autoimunes
Exposição prolongada a agentes irritantes
Processos neoplásicos
2. Fisiologia da resposta inflamatória crônica
Durante a inflamação crônica, há produção contínua de citocinas como IL-1, IL-6 e TNF-α, que modulam a liberação de proteínas de fase aguda e influenciam a eritropoiese e leucopoiese na medula óssea.
Essa estimulação constante gera um estado metabólico alterado, conhecido como anemia da doença crônica, além de mudanças sutis, porém consistentes, nos leucócitos.
3. Principais alterações no hemograma
🔹 Neutrofilia moderada
Resulta da liberação estimulada por citocinas inflamatórias.
Pode coexistir com desvio à esquerda leve, indicando resposta medular mantida.
🔹 Monocitose
Um dos marcadores mais consistentes da inflamação crônica em cães.
Monócitos atuam na fagocitose de detritos e regulação da resposta imune.
Nos gatos, pode ser discreta ou ausente, dependendo da duração e intensidade da resposta.
🔹 Linfocitose ou linfopenia relativa
Linfocitose: observada em processos crônicos com estímulo antigênico persistente (infecções pricipalmente).
Linfopenia: em inflamações mais intensas ou associadas ao estresse (liberação de corticosteroides endógenos).
🔹 Anemia da doença crônica
Normalmente leve a moderada, não regenerativa.
Causada pela sequestro de ferro e inibição da eritropoiese por citocinas.
Hemograma mostra normocitose e normocromia, sem reticulocitose.
🔹 Trombocitose reativa
Pode ocorrer por liberação de IL-6 e aumento da produção hepática de trombopoetina.
Em alguns casos, pode indicar inflamação de longa data ou resposta compensatória pós-anemia.
4. Integração com exames complementares
Para confirmar a natureza crônica do processo inflamatório, é essencial integrar:
Proteínas séricas: aumento de globulinas, fibrinogênio, ou proteína C reativa.
Bioquímica: alterações hepáticas e renais secundárias ao processo sistêmico.
Exames de imagem: quando o foco inflamatório não é evidente.
O hemograma isolado sugere, mas não confirma o processo crônico — a integração com outros dados laboratoriais e a clínica do paciente é o que dá segurança diagnóstica.
A inflamação crônica reflete um equilíbrio dinâmico entre destruição e reparo tecidual, e o hemograma é uma ferramenta essencial para acompanhar essa evolução. Reconhecer os padrões hematológicos característicos — neutrofilia moderada, monocitose e anemia leve não regenerativa — permite uma interpretação mais precisa e fundamentada da resposta do organismo.
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